Abril 08, 2009

Você lê palavras? Você lê palavras da minha boca?
Você tira as palavras da minha boca?
Você come as palavras da minha boca?
O que você pensa quando as come?
Gosta de me observar e me roubar.
É esse o seu segredo.

Você acha que te esqueço,
mas também te roubo.
E sempre nos momentos despidos,
nessas madrugadas,
você aparece e me perturba.

Faremos um pacto:
observe e toque.



te odeio!

Janeiro 28, 2009

Lembro das vidas passadas, moinhos, e de quase todos que passaram na minha vida. Talvez tenha um contato remanescentes do primórdio do meu encéfalo, talvez minhas células tenham lembrança ativa. Fato é que minha memória às vezes joga contra a sua dona, aliás a sua serva. Meu trabalho intenso de servir a própria memória. Às vezes ela mesma esquece e me deixa no vazio, muitas vezes lembra de meus vazios. O problema aparece quando lembro, e quando lembro me desfaço, e certas desmemórias eu não esqueço.

Janeiro 21, 2009

Eu falo pelos olhos e amo por eles também. Já me dizia o vento antes de te conhecer que iria me apaixonar pelo silêncio da solidão. Uma solidão tão completa, que me sinto relaxada ao saber quando tu voltas. Me sinto total quando você me chama do que quiser e me pega no colo, me faz dormir... a dificuldade em juntar os cílios se aconchega quando juntamos nossos corpos. É dessa plenitude de amor que me sustento, que me alimento de sorrisos, que me leva todos os dias. Cada dia sou mais levada pela vida... e o vento me sopra bons ares a todo tempo. Até dentro de uma caixa de sapatos gigante, os ventos gelados do ar condicionado e a luz do foco me protegem. Não tenho mais claustrofobia.
E o silêncio... e eu te escuto cada vez mais, cada voz mais bela, cada corpo mais quente. Do que temer, se não, do sol ao meio dia? Eu vejo pipas, sim. Vejo todos os dias. Coisa tão rara quanto ver um disco voador.
Amo o meu sotaque e o seu. Amo meu olhar... e o teu... ah... que olhar o teu! Gosto de sonhar com pessoas, gosto de olhar você. E eu queria lhe ver e lhe falar todos os dias, embora seja muito mais quieta do que calada. Sou o canto de um quarto lendo um livro.
Tenho a sorte de estar cansada e bem humorada. Tenho a sorte de com sono saber sorrir. Tenho a sorte de ter meus períodos de saudades e de vitórias. Tenho a sorte de perder as coisas que amo. Tenho a sorte de ter perdido tantas coisas e ganhado outras. Tenho a sorte de minha vida não ser todo dia a mesma. Tenho a sorte de me perder e me encontrar sempre. Tenho a sorte de encontrar as pessoas certas nas horas certas e as erradas nas horas certas. Tenho a sorte de estar sozinha e acompanhada ao mesmo tempo... Tenho tanto meu Deus! Muito obrigada!
Só estou escrevendo hoje, pois sou mais do que ontem. Dentre histórias reais e imaginárias que iria contar acabei por falar de mim... Só estou lhe dizendo isso, porque sei que tudo é grande, e hoje estou dentro do meu tamanho certo nessa vida.







** No dia de hoje percebo o quanto amizade verdadeira é importante, e quão difícil e inusitada é tê-la.

Dezembro 10, 2008

Estréia real diretamente das histórias de desenhos animados, ou teria então seus contornos definidos de acordo com a evolução humana, definida segundo os valores do mundo, a querer que vire uma estrela.Falo que meu Stereo Type está fantasiado em cada mente, e não sei o que sou mais para você, e queria pelo menos o significado do que represento na sua esfera terrestre.
Eu prendi o choro e deixava o riso se encher por si enquanto as lágrimas evaporavam pelo seu corpo e sua testa.
O que guardo em meus olhos é a idade da procura. Eu queria o fogo, eu queria a água ao mesmo tempo. Eu queria o poder do amor. Esse passado já era. Quando esse setembro termina?Eu estou voando tão alto que não me lembro como vim parar por aqui. Eu estou tão solitária que quase não me sinto. E o desejo nunca vem.Indecisão, minhas dúvidas são tantas, queria voltar a minha fábula, ou a sua? Eu não podia esperar, agora posso, tanto posso e quero que me observe. Observa-me, veja como posso.
Eu vou voar para longe, não quero mais nada. Quero ir embora.Não é fácil o meu papel (de idiota?). Tento acertar sempre, ser a invencível, mas a você sou tão frágil e desabo em teu pescoço. Caio de prédios e nada disso me acontece. E com você eu choro. Minhas lágrimas são tão pesadas, tremem o chão duro, amolecem qualquer rocha.Esse conto não termina. Terminado. Finalizado na minha língua eu te encaro, sem medo, então você não enxerga, esqueci. Esqueci que sou cega e você usa lentes de contato, olhos nos olhos.Eu tentei tanto. Eu tentei e desperdicei, desperdicei meus sorrisos fáceis, minha alegria pura, meu gosto doce que derreteu. As formigas me devoraram. Parece louco? Sonhei isso outro dia. Mas gostei de virar uma formiga também e te devorar.
Ando muito gótica, a não, ou melhor, muito má. Não sou coelhinho branco pintado de preto. Sou o coelho azul. Eu sei que ele existe dentro de mim.
As frases andam tão repicadas, como eu. Picada pelos insetos, repe-tindo cada palavra novamente porque sei que você gosta de me ver falando tudo de novo, repicada em inteiros porque não me quebraria em meios.Já vi o mundo virar de costas pra mim, virar em círculos, em noventa graus, em quarenta graus de febre, e nunca te vi se virar a mim. Eu queria te ajudar, se você quiser. Eu queria que você quisesse.
Cada vez menos palavras agora estão finalizando esse capítulo de loucura, porque cada dia que passa acredito que somos muito mais loucos do que o agora. Uma palavra não se traduz em uma palavra, eu sei, só quando estiver contigo. Então, acreditarei em vida eterna. Não me deixe terminar, mas acrescentar. Agora quero me esconder em ti, e em ti não posso. O que faço?
Os meus pensamentos rolavam soltos, soltos de tanto escutar tanta coisa diferente e igual. Vivia no mesmo presente/passado, sem riscos, sem vontade. Minha voz tão diferente ainda hoje, mas ainda dizem afeto. Afeto de algo, a chama de um triste evocar frio e consoante. Mesmo assim me calo no gelo do ser. Tenho ainda a alegria, alegria de muitas melodias. O mistério de seu olhar, vê-lo ali tão perto de mim, cultiva ainda o meu coração des-semeado. Ler a alegria de suas palavras, brincadeiras dos contos de fadas, me faz rir para vida. Enquanto me sauda com seus malabares, me encanto novamente com a felicidade e o bom de te escutar. E agora já nem me importo com o que passou, aquela ventania, nevoeiro. O dia amanheceu nublado, mas dura pouco para os raios de luz mudarem a minha perspectiva e posso ficar até mais tarde nos meus sonhos completos felizes, em meu travesseiro, novamente - ou contemplar o amanhecer dos montes cobertos com penumbras e verdes desnudando-se no levantar do sol, no brilho do meu sorriso quente.